segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Porta do Armário Aberta

Abro a porta do armário
como abro um diário,
a minha vida ali
dependurada
meu frusto cotidiano
sem segredos
intimidade exposta
que os botões não defendem
nem se veda nos bolsos,
espelho mais real que todo espelho
entregando à devassa
as medidas do corpo.


Armário
tabernáculo do quarto
que abro de manhã
como à janela
para sagrar o ritual do dia.
Sala de Barba Azul
coalhada de pingentes
longas saias e véus
emaranhados sem que sangue goteje.
Corpos decapitados
ausentes minhas mãos
dos murchos braços.


Do armário minhas roupas
me perseguem
como baú de herança ou
maldição.


Peles minhas pendentes
em repouso
silenciosas guardiãs
dos meus perfumes
tessituras de mim
mais delicadas
que a luz desbota
que o tempo gasta
que a traça rói
ainda assim durarão nos seus cabides
muito mais do que eu sobre meus ossos.


Nenhuma levarei.
Irei despida
deixando atrás de mim
a porta aberta.
In: COLASANTI, Marina. Rota de colisão. Rio de Janeiro: Rocco, 1993





terça-feira, 23 de agosto de 2011

Dura Mater (à Klébia Sampaio)



Fiquei mais mulher
Rainha fada bruxa sereia
Guerreira em terras de Atlântida
Princesa que viaja
Pendurada em pássaros
Ou vagueia pendurada
Em caudas de cometas

Fui menina-rosa
menina-santa
menina-da-noite
Que escorrega na vida
Que goza em poesia
Anjo e demônio de asas douradas
Fui de Ás de Copa a Rei de Paus
Benfeitor e carrasco:
Peito e palmada
Do lar e dona de terras
In -ter -mi - ná - veis . . .

Maria repleta
Completa - mente
De dores e delícias
Plena - de graça!
Deus e Deusa
Teo-sofia
Sabedoria divina

Essa noite me tornei meio mãe - inteira!
(Manumayah - 17ago20111 / 04h48 A. M.)

Um lindo presente que ganhei do amigo Manú, me veio com tanta energia boua, com tanto amor que não pude resisti. Chorei de alegria e emoção. Meu lindo brigadúúúú!


terça-feira, 12 de abril de 2011

Gordo é o novo preto

Amigos, gostaria de partilhar este texto e junto a ele o meu sentimento de repúdio a toda e qualquer manifestação PRECONCEITUOSA !
Ele foi escrito por Léo Jaime é na verdade um manifesto contra o preconceito aos gordos! Sou vitíma disso diariamente e não me sinto nada bem quando as pessoas se incomodam com minha aparência. Eu me amo, me cuido e nunca me incomodei em ser "gorda" Eu sou "é Feliz"!!






Gordo é o novo preto


Quando Felipe França aqui desembarcou com 3 medalhas, uma de ouro e duas de bronze, vindo do último campeonato mundial de piscinas curtas, o que se comentava era seu peso. Com 100 KG e 14% de percentual de gordura ele era mais do que um grande atleta: era a prova de que condicionamento e forma física não são necessariamente a mesma coisa.

Tenho os mesmos 14% de percentual de gordura. Ao longo dos anos fui aumentando de peso sem aumentar o percentual. A barriga cresce e é lá que guardo a perigosa gordura visceral. Estou sempre lidando com esta questão médica, e chata, mas tenho me mantido em forma e aumentado o peso magro, ou seja, adquirido músculos com muito exercício. Portanto, posso dizer que estou bem condicionado. Dito isto, vamos ao real incômodo da minha condição. Chega de me justificar. Detesto fazer isto.

Ao longo dos anos ouvi, e ainda ouço, inúmeros “nãos” profissionais com a justificativa de que minha aparência não é boa, preciso perder peso, pareço decadente etc. Passei 18 anos sem gravar um CD com minhas composições, e percebi que ninguém se interessava em sequer ouvir as novas canções. Embora eu já tivesse emplacado várias no nosso cancioneiro, parecia que estava claro para todo mundo que a minha barriga tinha substituído o meu talento. Curiosamente o público nunca acreditou nisso e continuou a me tratar com carinho. Durante este tempo todo! Coleciono mais sucessos que fracassos em tudo o que fiz no teatro, shows, TV, rádio ou em textos publicados na imprensa ou divulgados na internet. Considero ter conseguido vencer a resistência, mas não posso negar que ela exista e é muito forte. “Nadando contra a corrente, só pra exercitar”...

Voltando ao início: se um atleta pode ser medalha de ouro estando “acima do peso” seria correto dizer que existe um “peso” ideal? Nas olimpíadas os atletas têm os mais variados tipos físicos e, sim, alguns são “gordos”. Mas vamos olhar por outro ângulo.

Quando a adolescente lourinha matou os pais a pauladas em São Paulo, o comentário mais ouvido era “Como foi que uma moça tão bonita fez uma coisa dessas?” Como se gente bonita não matasse ninguém. Claro, os comerciais de TV só mostram rostos perfeitos, e todo mundo entende que são pessoas perfeitas. Será? Quando vi pela TV os bandidos fugindo da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão não me lembro de ter visto um bando de gordinhos. Eram até bem atléticos e “magros”.

O título deste artigo se refere a um movimento americano, “Fat is the new black”. Repare que a tradução não é “o novo negro” mas sim “o novo preto”. É uma expressão do mundo da moda: o novo preto é aquilo que parece ser a óbvia boa escolha; o que não tem erro: o pretinho básico. Ainda que seja óbvia a sugestão de que gordos são, para muitos, “the nigger of the world”, o que o tal manifesto combate ferozmente.

A maior parte da população do mundo está acima do “peso”, se é que existe um “peso”, e todos vamos ter que nos adaptar a esta realidade. Todos são ou vão ser gordos, ou gostar de um gordo, ou admirar um gordo, ou ter prazer com um, seja em que nível for. Conviva com esta ideia, amigo ou amiga. Não são os bonitos os que vão lhe dar prazer mas aqueles que querem lhe dar prazer e vão se esforçar para que você se dê conta disto. E, acredite, portadores de deficiências, magrinhos, carecas, altos, baixos, estão todos no páreo. O desejo transcende a forma. Beleza é uma coisa, gostosura é outra.

Neste manifesto (fat is the new black) americano há uma série de perguntas do tipo: você diria a alguém “Olha, você até tem um rostinho bonito, só precisa engordar uns quilinhos. E você sabe muito bem como, não é? É só ter um pouco de vergonha na cara”? Não diria. Por que, então, dizer o contrário parece razoável? E nem chamaria o Keith Richards ou a Amy Winehouse de decadentes porque eles andam muito magros. Talento, voz, criatividade, profissionalismo, nada disso tem a ver com peso ou aparência física. Será difícil entender isto?

Há um grande, um enorme preconceito. Este sim está muito acima do peso. E parece que o preconceituoso professa sua maledicência com a generosidade dos santos: é para o seu bem! Uma ova! O preconceito contra os gordos é o único tolerado hoje em dia. Ou contra os feios, vá lá! Está claro que, ao contrário do que a arte, através dos séculos estabeleceu, a partir de 1968 (com Twiggy) ser magricela é que é o tal. As formas arredondadas foram para o brejo depois de 25 vigorosos e rotundos milênios alimentando desejos e fantasias da alma humana.

Elvis é um dos meus heróis e eu prefiro sua fase mais madura. Quando diziam que ele estava decadente, embora cantasse como nunca. Um dia desses uma criança mal-educada quis ensinar ao meu filho que as pessoas ou eram magras ou eram gordas, e as magras eram melhores. Ainda bem que ele esqueceu em um segundo. Quando meu filho olha para mim vê o que eu sou para ele. Quando meu público olha para mim, acontece a mesma coisa. E o resto? O resto que vá para o inferno.

Eu digo que pra mim existem dois tipos de mulher: as que gostam de mim e as outras. E juro que as que gostam de mim são muito mais interessantes. Mulheres, parem com essa obsessão de perder dois quilos! Homens gostam de mulheres companheiras, bem humoradas e boas de cama. Homens, atenção! Quem repara demais na celulite das moças acaba preferindo bunda de rapaz. Não que eu tenha algo contra isto. Cada um que descubra o que lhe apraz.

Brincadeiras à parte, deixe-me concluir. Não é preciso aceitar, mas tolerar. Eu é que não sei se tenho estômago para tolerar esse preconceito. Por exemplo: ver o Ronaldo Fenômeno chorar ao despedir-se cortou-me o coração. Seu corpo não o venceu, o preconceito sim. Aturar anos de humilhação é duro até para os heróis.

Escrito por Leo Jaime às 12:41 AM









domingo, 27 de fevereiro de 2011

Morre o escritor gaúcho Moacyr Scliar




Domingo triste! Morreu hoje um dos meus escritores preferidos. Ele nunca saberá o quanto mudou minha vida , como aprendi com o que escreveu, como me ajudou a superar momentos tristes e confusos ,como me  ajudou  a ser uma pessoa melhor.



Obrigado Moacir Scliar !


"Sempre pensei que a literatura deveria nutrir os leitores e protegê-los das desilusões da vida"
 [Moacyr Scliar]


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Parabéns Dominguinhos


Dominguinhos é um dos grandes sanfoneiros da história da música brasileira. Nascido em Garanhuns, interior de Pernambuco, filho do mestre Chicão, um famoso afinador e tocador de foles de oito baixos, José Domingos de Moraes toca sanfona desde os seis anos. Sua grande referência musical é Luiz Gonzaga. Aos oito anos, tem seu primeiro encontro com o Velho Lua em Pernambuco; mais tarde, aos 13 anos, já morando no Rio de Janeiro, ganha do ídolo uma sanfona e um novo batismo: o nome artístico Dominguinhos - até então apresentava-se com o apelido de infância Neném.

Aos 16 anos, o sanfoneiro faz sua primeira gravação: tocou a canção “Moça de feira” num álbum de Luiz Gonzaga. Em 1964 estreia em disco: Fim de festa, pela gravadora Cantagalo, que pertence a Pedro Sertanejo, pioneiro do forró em São Paulo e pai de Oswaldinho do Acordeon. Dois anos mais tarde, Dominguinhos excursiona pelo Nordeste com o padrinho Gonzagão. A cantora Anastácia integra a equipe do show. Mais tarde, Dominguinhos divide o altar e a autoria de sucessos como “Tenho sede” e “Contrato de separação”.

Em 1972, é convidado pelo empresário Guilherme Araújo para excursionar com Gal Costa e Gilberto Gil. O tropicalista é quem grava “Eu só quero um xodó”, composição de Dominguinhos e Anastácia. Em parceria com Gil, o sanfoneiro compõe os clássicos “Lamento sertanejo” e “Abri a porta”.

Interpretado por Elba Ramalho, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Chico Buarque e Djavan, Dominguinhos também é reverenciado por suas obras e discos instrumentais. Nesse universo, seu álbum mais recente é o que divide com o violonista Yamandú Costa (Yamandú + Dominguinhos, 2007).





Por: Juliana Leite


domingo, 12 de dezembro de 2010

Viva Gonzagão



Meu grande ídolo, a grande voz que já embalou tantos momentos felizes de minha vida. Devo tanta felicidade a puxada do fole desse véio macho,sou grata a tanta calma me invadindo depois de ouvir um milhão de vezes a mesma cantiga bonita.
 Foi ele que me ensinou que vale a pena ver a beleza do crepúsculo da tarde, que o canto dos passáros é a melodia mais confortante ao coração, que o sertão é mágico e verde , que nas dificuldades ainda podemos ser felizes, e que ser nordestino e a melhor coisa do mundo.

VIVA GONZAGÃO !!! AMÉM!!



Amanhã 13 de dezembro se estivesse vivo em matéria, Luiz Gonzaga completaria 98 anos. Permanece vivo aqui em meu coração!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Começo do re-começo


A corda prende a ancora que sustenta o navio, mas ela também o permite navegar.
O laço une as mãos, mas desfeito , promove a liberdade.
A fita serve de corda.

A corda que não serve de fita para enfeite do laço.
Cordas sem cor, gastas e sujas , sustentam a vida a um ponto sem sentido.
O sentido das cordas na direção do ponto.

A corda que badala o sino, o sinal de alerta .
 A corda que levanta gente.

Nós atados que o tempo afrouxa , rói , destrói e o que era laço firme, transforma-se em guia para novos portos.

Acooordaaaaaaaa!!

Que a corda que puxa o futuro vai começar a soltar!