sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Começo do re-começo


A corda prende a ancora que sustenta o navio, mas ela também o permite navegar.
O laço une as mãos, mas desfeito , promove a liberdade.
A fita serve de corda.

A corda que não serve de fita para enfeite do laço.
Cordas sem cor, gastas e sujas , sustentam a vida a um ponto sem sentido.
O sentido das cordas na direção do ponto.

A corda que badala o sino, o sinal de alerta .
 A corda que levanta gente.

Nós atados que o tempo afrouxa , rói , destrói e o que era laço firme, transforma-se em guia para novos portos.

Acooordaaaaaaaa!!

Que a corda que puxa o futuro vai começar a soltar!

domingo, 7 de novembro de 2010

O lado de dentro


Ela sempre esperou por discos voadores, naves pousando no quintal de casa, contatos imediatos com seres inanimados, visões no escuro do quarto, vozes clandestinas durante a chamada no telefone.

Nunca teve medo dos sons da noite que parecem anunciar a chegada de alguém.

Esperar, esperar...

Fugir é seu desejo, fugir de casa, da escola, do trabalho...

Fugir do próprio eu.

Enfrentar-se é o desafio mais difícil de todos, dar de cara com seus próprios anjos muitas vezes travestidos de demônios.

Pega o espelho e vê – se , sofre, experimenta uma espécie de tortura prazerosa.
E assim num súbito ataque de nervos: só restou os estilhaços, um eu dividido em pedaços.